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20/02/2000 - GAZETA DO POVO - PR

Em busca de leitores
Escritores falam das vantagens dos títulos virtuais

Está bem claro que a principal forma de lucro da Papel Virtual não está no preço de capa dos produtos, mas sim nos R$490 cobrados autores. Mas o que ganham os autores? “É melhor ser pouco lido do que não ser lido”, afirma o curitibano Fábio Marchioro. Escritor e advogado, ele afirma ter oferecido o livro Geena (um romance realizado em parceria com Gabriel Campanhollo) para diversas editoras convencionais, mas o esforço foi em vão. “Uma delas chegou a classificá-lo como infanto-juvenil”, brinca.

O próximo passo foi procurar um agente literário por via de uma anúncio na Internet. Marchioro descobriu que a atividade é pouco desenvolvida no Brasil, mas seu classificado obteve outro tipo de resposta. Tomaz Adour, então iniciando seu trabalho na Papel Virtual, lhe escreveu explicando o novo projeto e propondo a inclusão da obra do curitibano no cast da companhia. O advogado decidiu publicar inicialmente a coletânea de contos Pensagens (R$10,60 na edição impressa e R$2,46 na eletrônica), um dos títulos mais vendidos da companhia virtual. “Não dava para deixar o material na gaveta, eu tinha a sensação do dever não cumprido”, diz o autor, que se prepara para lançar Geena em território virtual.

O carioca Rafael Arrais (cuja página na rede pode ser acessada pelo endereço http://pessoal.bridge.com.br/tpr), de apenas 22 anos, publicou seu primeiro trabalho pela Papel Virtual. O livro de filosofia Do Universo ao Universal (R$11,15 na versão impressa e R$1,71 na eletrônica) não foi aprovado por nenhuma editora regular, até que uma amiga indicou a empresa on line ao estudante de Belas Artes. “Além de poder rescindir o contrato quando quiser e vender livros por fora, há a vantagem de ter um produto pronto e com capa para mostrar aos editores das empresas convencionais”, afirma.

Enquanto alguns estréiam, outros dão continuidade aos seus trabalhos pelas mãos da companhia carioca. O gaúcho radicado no Rio de Janeiro Xavier Dyzars, de 61 anos, já tem obras publicadas e inclusive faz parte da Diretoria Efetiva do Sindicato dos Autores do estado onde reside. De acordo com o autor, o romance O Anjo de Varsóvia (R$11 na edição impressa e R$3,60 na eletrônica) pode ser considerado um trabalho em caráter experimental. “É uma forma de testar seu livro para um público, mas o preço fica caro quando a tiragem passa dos 300 exemplares”, diz.

Os escritores garantem que a qualidade gráfica das publicações da Papel Virtual não é inferior ao padrão dos títulos vendidos em livrarias. Fábio Marchioro conta que a L & PM está adotando o mesmo equipamento para imprimir obras fora de catálogo. Rafael Arrais, que elaborou a capa do próprio livro, também se diz satisfeito. “Não dá para comparar com o padrão da Cia das Letras, por exemplo, mas é melhor do que muitas publicações de editoras pequenas”.

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