01/10/2000 - O DIA - CADERNO BARRA VIVA
ARTE E BOM GOSTO NA DECORAÇÃO
No livro de Heloisa Medeiros, os ensinamentos de uma expert
A arte e suas influências na arquitetura, na decoração, na moda e nas jóias, desde os primórdios até os dias de hoje, ilustram o livro Como Entender de Arte e Aprender Decoração, da jornalista e decoradora Heloisa Medeiros, lançado quarta-feira, na Casa de Cultura da Universidade Estácio de Sá.
"Meu principal campo de pesquisa sempre foram as viagens. Conheço a maior parte da Europa, toda a América do Sul, os Estados Unidos, a África, o Japão e a China. Mas a leitura também sempre foi uma grande aliada", conta Heloisa, de 85 anos, que trabalhou como decoradora em Brasília por 18 anos.
"Trabalhava muito em embaixadas. E para interpretar a cultura desses povos em suas casas, precisava viajar bastante, para conhecer o que pretendia fazer", justifica Heloisa, que nasceu em Recife mas mora no Rio 'desde sempre'. "A cidade sempre foi o meu quartel-general."

Atualmente morando em São Conrado, sozinha, mas sempre cercada dos três filhos, 12 netos e 18 bisnetos, Heloisa adora o Rio de Janeiro, em essencial a Barra da Tijuca. "O bairro é muito moderno e cosmopolita. Americanizado, com suas avenidas largas, me lembra Orlando, nos Estados Unidos. Compete com qualquer lugar do mundo. Mas só não podem deixar que virem uma Copacabana, com um mote de apart-hotéis e milhões de pessoas morando em cubículos. E isso não é muito difícil de acontecer, com a Linha Amarela e Jacarepaguá tão pertos", reclama, destacando o Barra Garden como um lugar muito charmoso, e o Downtown como um shopping pitoresco. A decoradora, que também já teve sua fase de pintora, quando trabalhou com o figurativo e o abstracionismo, expondo em galerias do Brasil e do exterior - onde tem quadros até hoje espalhados em hotéis de Orlando -, só não aprova a falsa Estátua da Liberdade, que fica em frente ao New York City Center. "Parece um quadro maior do que a moldura. Achei de extremo mau gosto".
Heloisa, que já morou também em Boston, Washington e São Paulo, diz que não fez seu livro para historiadores, e sim para quem gosta de arte, iniciantes e profissionais de arquitetura e decoração. "Dou conselhos práticos, num estilo coloquial, fugindo da parte didática", explica, ressaltando o principal passo para um arquiteto ter sucesso. "Ele tem de partir de três princípios: unir economia, função e estética. O primeiro para poder atender a quem não tem muito dinheiro. O segundo, para proporcionar praticidade, porque não adianta uma peça bonita que não seja funcional. E o terceiro, porque todos gostam de coisas belas dentro de casa."
E como não pára, Heloisa, que pretende ainda conhecer a Austrália e os países nórdicos, lança em 2001 o livro Dicionário Visual da Arte. "Meu principal plano é ser feliz. Para isso, preciso de saúde, da companhia da minha família e do meu passaporte em dia. Porque adoro viajar", reflete.
Bianca Carillo
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