02/01/2000 - O GLOBO
Editora Virtual é Novo Mercado
Empresa nascida na PUC está a caminho da independência
Ao preparar sua tese de mestrado em marketing, o empresário Tomaz Adour chegou à conclusão que, anualmente, cerca de 50 mil livros são rejeitados pelas editoras. Resolveu, então, trabalhar com esse material, criando uma opção para autores que não têm acesso ao mercado tradicional. Ele inventou a Papel Virtual, empresa especializada em lançar livros via Internet. Por intermédio do site, o consumidor pode acessar pequenos trechos da obra e encomendar o livro impresso.
A experiência deu tão certo, que Adour deixou para trás o antigo trabalho de roteirista para apostar no negócio, cujo rendimento mensal está na casa dos R$ 20 mil. Atualmente funcionando dentro da incubadora de empresas da PUC-Rio, a Papel Virtual já se prepara para se transferir para um espaço independente a partir deste mês. De acordo com o contrato, poderia ficar mais dois anos incubada na universidade, mas já tem condições de caminhar por suas próprias pernas.
Adour se entusiasma com sua nova atividade:
- Os dois lados saíram ganhando. A empresa, por ter apostado num novo filão; e os autores, por agora terem acesso a um meio alternativo de divulgação de seu trabalho. Muitos profissionais com material de boa qualidade acabam não encontrando espaço no mercado convencional de livros.
Adour explica que, há um ano, a empresa vendia cerca de 50 livros por mês. Hoje, esse número está na casa dos dois mil exemplares. A facilidade para lançar um livro vai além. Segundo Adour, autores desconhecidos muitas vezes precisam pagar para publicar seus livros (cerca de R$ 6 mil) e só conseguem retorno se a publicação deslanchar.
Na editora virtual, entretanto, esse valor fica em R$ 490 - incluídos os serviços de exposição na home page, revisão, editoração eletrônica e venda do produto. E o autor ganha com a venda dos livros encomendados.
- O leitor paga R$ 0,03 por página impressa, e o autor recebe um percentual de 20% de direitos autorais. No modelo convencional, esse percentual é de apenas 10% - acentua Adour.
A Papel Virtual fez cem lançamentos ao longo de 1999. Mas Adour faz uma ressalva: a editora não publica livros sem qualidade.
- A proposta é atender apenas autores com trabalhos de qualidade, que, por algum motivo, não conseguiram entrar no mercado.
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