03/03/2000 - ESTADO DE MINAS
A arte do livro virtual
Na era da informática, as editoras virtuais se tornam uma alternativa para os novos escritores
Atualmente, publicar um livro é mais fácil do que parece. Para acabar com a longa
espera de uma resposta (positiva ou não) de uma editora convencional, surgem no País as editoras virtuais. Primeira no Brasil e segunda no mundo a Papel Virtual (www.papelvirtual.com.br), criada há um ano e meio, publicou 100 livros só no ano passado. "Neste ano estamos prevendo 500 publicações", adianta Tomaz Adour, editor da Papel Virtual, com sede na Puc-RJ, onde ele é professor.
A relação autor/editora funciona da seguinte maneira: o escritor manda os originais para a editora, que num prazo de uma semana aprova (ou não) a publicação do livro. Em caso positivo, o livro é revisado e editorado. Em dois meses está pronto para lançamento. A obra vai estar disponível para o leitor nas formas impressa ou digital. "A impressão vai de acordo com a demanda. Na editora só temos um estoque de segurança, no máximo cinco exemplares de cada livro. Se a quantidade do pedido for grande, como para uma noite de autógrafos, por exemplo, os livros ficam prontos em até duas semanas", garante o editor.
O catálogo da editora abrange livros de ficção e acadêmicos. "Os romances vendem muito, livros de humor também. Os acadêmicos são muito procurados principalmente por meio digital", diz Adour. De acordo com ele, alguns autores chegam a decepcionar, conseguindo vender apenas 30 exemplares. "Mas há livros que já chegaram a 300 exemplares". O site permite que o internauta leia um trecho do livro para decidir se quer comprá-lo.
Tomaz Adour comenta que o primeiro objetivo da editora era publicar trabalhos de autores desconhecidos. "Como conquistamos um público, autores conhecidos que não querem esperar que uma editora convencional lance seu trabalho acabaram publicando conosco". Ele cita Virgílio Moretzsohn, crítico de literatura do jornal "O Globo", que mesmo já tendo lançado vários livros por editoras convencionais, optou pela Papel Virtual para publicar suas mais recentes obras. Como direito autoral, o autor recebe 33% do valor de capa na edição digital e 20% (em média) na edição impressa.
Ele acredita que a publicação digital é uma tendência. "É um mercado grande. A concorrência vai, inclusive, aumentar", acredita. Somente nos Estados Unidos existem nos dias de hoje 20 editoras virtuais. No Brasil, já começam a surgir novas editoras. Uma delas é a Hot Book (www.hotbook.com.br). O modo de funcionamento desta editora é um pouco diferente. Ela publica somente livros digitais que chegam gratuitamente ao internauta. E o escritor ganha um espaço para que um patrocinador coloque o banner de sua empresa junto ao livro.
MARIANA PEIXOTO
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